De capacete e salto alto

Na hora de escolher o curso de formação é preciso não só pensar naquilo que se curte fazer, mas também nas oportunidades que o mercado tem para você. Mas, e quando uma aluna opta por um curso predominantemente masculino? Será que suas chances de conseguir uma colocação aumentam por ela possuir um diferencial em relação aos outros candidatos, ou diminuem? Nada melhor que perguntar para quem já está no mercado.

Para isso reunimos os dois lados da história: uma aluna e uma professora bem colocada, ambas em um mercado visto como predominantemente masculino. O resultado você confere a seguir.

A PROFISSIONAL: Ellen Argôlo (foto à esquerda), professora de Engenharia Civil e responsável pela área de Projetos da Creft Engenharia.

A ESTUDANTE: Jacqueline Adriana Inácio (foto à direita), aluna do 1º semestre de Engenharia Civil de Campinas.

JACQUELINE: Nos últimos dois anos, houve um aumento de mulheres na indústria da construção civil, mas ainda como mão de obra menos qualificada. Como está o mercado de trabalho para a engenheira civil?
ELLEN: As mulheres estão conquistando cada vez mais o setor da construção civil, até pouco tempo considerado reduto masculino. O fato de serem mais criteriosas, detalhistas e organizadas que os homens tem contribuído para isso. Para a engenheira civil temos um mercado de trabalho bastante favorável, pois há uma boa demanda de profissionais nessa área.

JACQUELINE: É visível que a maioria dos profissionais é do sexo masculino. Na sua opinião, qual seria o motivo: preferência, preconceito ou baixa procura do curso por mulheres?
ELLEN: Esse universo da Engenharia Civil já foi dominado por homens, mas hoje podemos ver que as mulheres estão em toda parte, inclusive em todo tipo de obra. A partir do momento em que a profissional se mostra capaz de exercer determinado tipo de função e se qualifica para isso, dificilmente será prejudicada pelo simples fato de ser mulher.

JACQUELINE: Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado de São Paulo, ultimamente a contratação de mulheres é maior no Norte e no Nordeste. E na região metropolitana de Campinas, como você vê o mercado de trabalho?
ELLEN: A região metropolitana de Campinas é considerada uma das mais ricas e desenvolvidas do país. Temos um mercado de trabalho com boa demanda de profissionais. Além disso, há uma carência nessa área porque, nos últimos anos, os engenheiros direcionaram-se muito para o mercado financeiro e administrativo, por possuírem forte bagagem em organização, cálculos e projeções.

JACQUELINE: Quais as principais dificuldades que um recém-formado encontrará na sua primeira experiência como engenheiro civil?
ELLEN: Em minha opinião, uma das principais dificuldades é a pouca experiência prática. Quando ingressa no mercado de trabalho, o jovem recém-formado normalmente já se depara com situações que exigem dele atitude e tomadas de decisão.

JACQUELINE: O que prevalece mais na nossa função: planejamento ou execução?
ELLEN: Ambos são essenciais para o sucesso na profissão. O planejamento otimiza e aperfeiçoa o processo da execução, mas deve ser coerente e realista; caso contrário, pode tornar-se inexequível.

BOX – Palavra da Coordenadora
A professora Marilene Mariottoni, coordenadora do curso de Engenharia Civil da Veris e perita judicial na área, comenta a participação feminina no mercado:

Mudanças
“A situação está mudando, e as mulheres estão mais conscientes da necessidade de buscar cursos que lhes tragam maior realização profissional de acordo com suas vocações e interesses. Elas perceberam que o mercado está mais receptivo às sua participação, pois está voltado à qualidade, desprezando o viés cultural da discriminação.”

Diferencial Feminino
“Acredito que a mulher traga para a área pelo menos duas características importantes: a facilidade de trabalhar em equipe e a prática de ouvir as várias opiniões. Esses são traços femininos que devem ser adotadas por todos; mas, como a mulher já os possui, isso faz diferença.”

Edição - Melissa Pio