Mania nossa de cada dia

Diz a crença popular que todo cara genial tem lá suas esquisitices. O que dizer, por exemplo, de Steve Jobs, que está sempre vestindo jeans e camisa preta durante o lançamento de um novo produto? Ou, então, do cantor Roberto Carlos, que coleciona uma série de manias? Estranhas para uns, nem tanto para outros. Das mais simples às mais bizarras, o fato é que todo mundo tem as suas particularidades.

TODO MUNDO TEM
Passar manteiga na parte de fora do pão, ficar dando nó no cabelo ou até comer batata frita com doce de leite… A lista de manias curiosas não para, e é bem provável que um exemplo seu possa ser incluído aqui. Mas, antes que a gente siga adiante, é bom esclarecermos um ponto: o termo “mania”, geralmente, é utilizado de maneira equivocada pela grande maioria das pessoas. Quem explica isso é o professor de Psicologia da Veris, Marcelo Zanandré (foto). “Boa parte das pessoas fala de mania para se referir às obsessões ou compulsões que caracterizam o TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo”, explica.

Segundo o psicólogo, as obsessões são pensamentos ou ideias que se ocupam da consciência repetidamente e podem ser acompanhados de alguns rituais que têm o objetivo de aliviar a angústia provocada por aqueles pensamentos. Como exemplo, Marcelo cita a dúvida que se instala na cabeça de alguém que sai de casa e não sabe se trancou a porta, se desligou o gás, se apagou a luz… “Já as compulsões são comportamentos repetitivos, como lavar as mãos o tempo todo ou dizer algo mentalmente, por exemplo, como uma resposta a determinadas situações”, esclarece.

Portanto, é possível concluir que todos nós temos nossas manias e rituais diários, mas é preciso ficar atento quando esses gestos começam a interferir no nosso cotidiano, causando algum tipo de sofrimento físico e mental.

CADA UM COM A SUA
Já que todos nós temos manias, será que é possível tirar proveito delas de alguma forma? Pelo sim, pelo não, lidar de maneira positiva com elas talvez seja o primeiro passo. Esse é o caso de Mirian Diehl (foto à direita), aluna do1º Semestre de Comunicação Social, em Campinas. Desde os dez anos de idade ela desenvolveu um hábito, no mínimo, curioso: somar os números das placas dos carros. “Claro que em um trânsito como o de São Paulo, por exemplo, fico um pouco confusa. Nunca sei para qual placa devo olhar”, diverte-se.

E é justamente achando graça dessa situação que ela aprendeu a utilizá-la a seu favor. “Nunca passei por nenhum momento desagradável, nem me atrapalha em nada. Pelo contrário, isso até me ajudou a fazer cálculos mais rápido”, brinca.

E se tem gente que ouve música enquanto trabalha e estuda, ou entre uma atividade ou outra, também há quem não dispense os fones de ouvido nem enquanto dorme. A aluna Nathálya Souza (foto à esquerda), estudante do 1º Semestre de Publicidade e Propaganda em Campinas, tem mania de ouvir música para pegar no sono. “Eu amo música, e estou sempre atrás de coisas novas para ouvir. Então, eu percebi que pegava no sono mais fácil enquanto curtia um som”, diz.

E se você pensa que ela entra em crise de insônia caso a bateria do iPod acabe, está muito enganado. “Até que consigo dormir sem o meu player, mas o importante pra mim é estar com alguma música na cabeça, nem que para isso eu precise cantar para pegar no sono.” Portanto, se a sua mania não representa nenhum transtorno maior no seu dia a dia, a melhor saída é lidar com ela numa boa e não ficar se escondendo por aí. Afinal de contas, quem nunca se flagrou pensando ou fazendo coisas no mínimo incomuns aos olhos dos outros, não é mesmo?

BOX – Top manias curiosas
- Ablutomania: mania de se lavar
- Tricotilomania: compulsão por arrancar o próprio cabelo
- Demonomania: acreditar ser habitado por um espírito maligno
- Onomatomania: desejo irresistível de repetir certas palavras
- Cartocacoete: compulsão incontrolável de ver mapas em tudo

Na web
Tem manias estranhas? Conte sobre elas no maniasengracadas.com.br

Texto – Alexandre Finelli
Fotos – Martinho Caires e Arquivos pessoais

 


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