Facebook, Twitter, Orkut… A esta altura, é bem provável que você faça parte de várias redes sociais, certo? Mas você já parou para pensar como o conteúdo que você publica por ali pode interferir na sua vida profissional, tanto por um lado positivo quanto por um negativo?
MANCADAS DIGITAIS
Tudo bem. A gente sabe que a grande maioria das pessoas utiliza as redes sociais como uma forma de entretenimento. Conversar com os amigos, publicar fotos de viagens e até passar o tempo em games um tanto viciantes… Mas você sabia que essas mesmas redes podem queimar o seu filme profissional? Pois é. De uns tempos para cá, grande parte das empresas começou a conferir o que você está publicando em perfis sociais. E, infelizmente, não faltam exemplos de pessoas que têm entrado numa fria graças a uma mensagem mal pensada.
Quem não se lembra do executivo da Locaweb que xingou muito no Twitter e foi parar no olho da rua [migre.me/45evm]? Ou, então, da estudante de Direito que perdeu o estágio ao publicar mensagens preconceituosas sobre a eleição da presidente Dilma [migre.me/45erc]? Esses e tantos outros casos mostram bem que, do estagiário ao diretor de uma grande corporação, todo mundo corre o risco de passar por isso.
AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA
O comportamento equivocado nos ambientes digitais pode custar caro, tanto para o funcionário como para a própria organização, e as consequências variam de uma simples “puxada de orelha” até uma demissão por justa causa. “Alguns casos rendem uma pequena advertência. Porém, se o conteúdo exercer um impacto negativo nas atividades da empresa, esse cenário pode caracterizar uma demissão por justa causa”, explica Vivian Pratti (foto), especialista em Direito Digital.
Para se ter uma ideia, uma pessoa por semana é demitida graças a alguma mensagem infeliz publicada na rede, segundo dados da E-Life, empresa de monitoramento de mídias sociais. E se a coisa pode ficar feia mesmo quando o funcionário dá suas tuitadas longe do escritório, imagine o que acontece quando as redes são utilizadas indevidamente durante o expediente.
“A empresa pode controlar o uso dessas ferramentas para evitar o desvio das atividades dos funcionários para fins pessoais. Ao ser admitido, ele já deve saber que terá seu comportamento verificado periodicamente pela empresa, e até mesmo o Judiciário poderá requisitar as mensagens trocadas para averiguação”, explica Moysés André Bittar (foto abaixo), professor de Direito na Veris e especialista em Direito do Trabalho. Aliás, nem o e-mail tem escapado dos olhos do empregador. “Se o funcionário utilizar o e-mail corporativo para fins pessoais, ele pode ser demitido por justa causa”, complementa o professor.
A SEU FAVOR
Calma! Antes de ir correndo apagar suas contas (ou virar paranoico), vale ressaltar que é possível, sim, fazer um bom uso das redes sociais, inclusive para potencializar aquela chance de sair do estágio e ser efetivado. Isso porque você pode aproveitar o fato de que headhunters estão de olho no que você publica para se diferenciar dos demais candidatos. Um estudo liderado pela empresa de consultoria Robert Half mostrou que 21% das organizações nacionais já estão utilizando esses canais para avaliar os candidatos a uma vaga. Ou seja, investir num conteúdo bacana pode ser a chance de que você precisava para emplacar aquela oportunidade de trabalho.
A primeira coisa a ser feita é selecionar quem pode ter acesso à sua conta. Ou seja, se você fizer muita questão de publicar aquela sua foto na balada, não custa nada escolher quais pessoas podem ter acesso a ela. Dito isso, se você estiver focado em se destacar na sua área de atuação e quiser ser visto por possíveis companheiros de bancada, vale a pena ter um perfil no LinkedIn [linkedin.com] e no Plaxo [plaxo.com], que são ferramentas de cunho estritamente profissional. “Manter o perfil atualizado, responder às mensagens de outros membros e comparecer aos encontros presenciais promovidos pelos grupos são ótimas formas de cultivar networking e a melhor maneira de construir uma imagem profissional”, explica Priscila de Azevedo Costa, Coordenadora do Departamento de Carreira da Veris.
Segundo Priscila (foto ao lado), uma das melhores formas de se diferenciar dos demais usuários de uma rede é se manter ativo dentro de grupos de discussão que pertençam à sua área de atuação. “Boas oportunidades de trabalho são sempre divulgadas para as redes de contatos das pessoas que participam dessas comunidades”, explica.
Porém, nunca é demais lembrar que uma boa imagem profissional é construída no dia a dia, inclusive pelo modo como se conversa com os amigos nesses canais. “Se bem utilizadas, com muito bom-senso, as mídias sociais serão ferramentas poderosíssimas de conexão com o mundo, e não haverá fronteiras para o acesso ao conhecimento e às oportunidades de trabalho”, conclui Priscila.
BOX – Quatro dicas para fazer um bom uso das redes sociais e dar uma guinada na vida profissional:
- Manter um perfil com informações e fotos adequadas à imagem que você quer transmitir.
- Contribuir ativamente com informações sobre sua área nos grupos de discussões. Isso aumenta sua visibilidade e melhora sua credibilidade.
- Evitar mentiras ou perfis fakes. De nada adiantará montar um perfil da pessoa perfeita se você não o sustentará por muito tempo.
- Não divulgar informações sobre a empresa em que está trabalhando, salvo aquelas que competem ao seu currículo.
Texto – Alexandre Finelli
Fotos - Martinho Caires e Divulgação
Dicas – Priscila de Azevedo, coordenadora do Departamento de Carreira da Veris
