Como é estudar e viver em outro país? Esta experiência pode trazer inúmeros desafios, mas também pode ser muito proveitosa. Vanessa Pegos, professora do curso de Biomedicina da Veris IBTA Metrocamp, unidade Campinas, foi à Espanha, onde permanecerá até o final de março, para realizar expementos científicos para conclusão de seu doutorado e conta agora um pouquinho dessa “deliciosa” viagem.
O texto está bem despojado e vale a pena ser lido até o final.
Agora, bora ler tudinho e curtir, assim como a gente, essa fantástica aventura na Europa.
Equipe do Blog Veris Faculdades
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“Vim para a Espanha em Janeiro deste ano para realizar parte dos experimentos que consituem meus alvos científicos durante a etapa de doutoramento. Muito além de simplesmente mudar de laboratório, cidade e hábitos de trabalho ainda me deparei com mudanças extremamente drásticas: o fuso-horário, a língua e o fato de TUDO ser totalmente diferente. Na primeira semana isso se torna insuportável e sinceramente é insuportável porque tudo é novo. Você precisa aprender a falar espanhol, descobrir como são as coisas, o que tem para comer, o que tem no supermercado e o preço de cada coisa (o que é algo importante por aqui). Em alguns momentos todos estes cenários se chocam e levam até uma leve confusão mental, muito estresse e se você for uma” manteiga derretida” certamente alagará o seu humilde quarto de estudante!
Passada a primeira semana que é a mais tensa, você já sabe os caminhos e direções, já sabe como pedir informações e também já está mais habituada e mais preparada para as adversidades cotidianas. Quando você percebe que já está bem adaptado, que conhece o dono do bar da esquina, o caixa do supermercado, vizinhos e percebe a qualidade de vida que há aqui é muito comum se pegar pensando: Nossa, eu queria mesmo voltar para o Brasil?
Após 14 dias eu comecei a descobrir o quão maravilhosa é essa cidade. As pessoas são gentis, há muita coisa para se fazer e o sistema de metrô é o melhor de toda a Europa e o mais barato! Sim, é inacreditável como é facil andar por aqui. As estações são muito bem sinalizadas, limpas e a cidade também, e pude comprovar isso na prática, pois quando percebi já havia caminhado 14 quilômetros por lugares lindissímos em um domingo delicioso! Há diversos monumentos, palácios, uma arquitetura estonteante, sem contar os museus desta cidade que são sensacionais como o Museu Nacional Del Prado e o Palácio Real que eu passaria horas sentada estutando os músicos com seus violinos e ficaria ali vegetando por horas a fio…Inenarrável!
O mais gostoso ainda é entrar no metrô e ver que os espanhóis têm o hábito de ler durante o trajeto para casa ou para o trabalho e que se o Brasil é o país da cerveja e do futebol é porque ninguém chegou a assistir em um bar aqui na Espanha um jogo do Real Madrid x Barcelona. E quanto a cerveja..até na hora do almoço, com e sem álcool e com e sem limão é um euro – e de qualidade.
Mas como a vida não é só turismo e a parte mais ardua da adaptação já passou, posso dizer que profissionalmente a experiência é relevante. A oportunidade de visistar outros laboratórios e realizar experimentos me permitiu visualizar os processos e expandir o conhecimento sobre aquilo que já tinha ou pensava que tinha e adquirir o que eu ainda não tive a oportunidade de fazer e discutir. É claro que nem tudo é belo, trabalho muito e inclusive aos sábados. Naturalmente, muito do que faço aqui não posso divulgar pois é pesquisa, mas espero que o tempo aqui investido na minha etapa de doutoramento não me traga somente conhecimento, mas também publicações que é o que todo estudante em uma pós –graduação na minha área busca. E tem que haver muito cuidado e equilíbrio para que se consiga trabalhar desde as primeiras semanas e reduzir ao máximo o tempo de adaptação pois, como o tempo na ciência é curto e todos queremos resultados, o tempo entre adaptação e ritmo de trabalho pode ser um desastre acadêmico.
E desde que cheguei aqui tenho vivido com pessoas de todos os lugares do mundo e falado português, espanhol, inglês e às vezes, italiano.. o que permite tatear o mundo como uma criança e aprender muito sobre tudo, os hábitos e as pessoas. Mesmo assim reitero que viver em outro país no começo não é fácil, pois você está aprendendo tudo e normal se sentir imaturo por alguns momentos, mas também é muito gostoso, exceto as baixas temperaturas. E por este motivo, além do cansaço gerado pelo volume de trabalho não pude conhecer ainda as famosas noites madrilenhas, mas tudo tem um preço! “
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